Por que Drummond

" Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos"
                                                                                                     
                                                          Drummond

"A morte emendou a gramática. Morreram Carlos Drummond. Não era um só. Eram tantos. Mas quem disse que Drummond morreu? E que ironia! Alguém tão cético provando que há vida após a morte! Mais do que qualquer outro gênio soube ser reconhecido enquanto vivo e não se deixar morrer mesmo negando os convites para se tornar imortal como membro da Academia Brasileira de Letras.

Alguma Poesia, seu primeiro livro, foi editado em 1930. Foram apenas 500 exemplares. Em 1931, morre seu pai, aos 70 anos. Três anos depois transferiu-se para o Rio de Janeiro e não mais voltou a sua cidade natal: Itabira é apenas uma fotografia na parede. / Mas como dói!"

Em 1979, os alunos do Colégio Ofélia Fonseca prestam suas homenagens à esse grande poeta, sugerindo que a Biblioteca seja denominada Carlos Drummond de Andrade.

Transcrição de trecho da carta enviada para o Colégio:

Rio de janeiro, 29 de outubro de 1979

" Muito me sensibilizou a iniciativa de ser dado o meu nome à biblioteca circulante e de pesquisa do Ginásio Ofélia Fonseca, por indicação dos alunos.

Desejo esclarecer que sempre fui partidário de só se homenagearem pessoas, já falecidas, na nomenclatura de logradouros públicos, associações, institutos, etc. O julgamento dos contemporâneos é precário e sujeito a reavaliação. Entretanto, não posso de deixar de sentir-me honrado por essa prova de simpatia com que, generosamente me distinguém".

Carlos Drummond de Andrade

"Em 1982 Drummond completa 80 anos . São realizadas exposições comemorativas na Biblioteca Nacional e na Casa de Rui Barbosa. Recebe o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. No ano seguinte declinaria do troféu Juca Pato."

A escola de samba Estação Primeira de Mangueira o homenageia em 1987 com o samba-enredo O reino das palavras e é campeã do carnaval carioca naquele ano. No dia 5 de agosto morre a mulher que mais amou, sua amiga, confidente e filha Maria Julieta. Desolado, Drummond pede a sua cardiologista que lhe receite um "infarto fulminante". Apenas doze dias depois, em 17 de agosto de 1987, Drummond morre numa clínica em Botafogo, no Rio de Janeiro."